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#ANoivaCadáver

A NOIVA CADÁVER: A BELEZA QUE HÁ NA AUTOACEITAÇÃO 


Há um tempo, escrevi aqui no blog sobre Tim Burton e sua maestria ao combinar elementos contrários e sombrios, como ao retratar a morte de maneira tão singela que chega a ser lírica.

Essa definição é o retrato perfeito de A Noiva Cadáver(2005) animação feita em stop motion que não a toa tornou-se um marco para toda uma geração, como também uma das melhores películas do diretor.

O longa acompanha a vida pacata do jovem Victor Van Dort, filho de comerciantes de peixe, prestes a se casar com Victória Everglot, herdeira de uma família de classe média-alta decadente.

Com ambas as famílias acreditando que o matrimônio é a única saída para seus objetivos de igual ascensão, os jovens se vêem em um casamento arranjado e a princípio, sem qualquer resquício de amor.

Pressionado a decorar os votos e sentindo-se inseguro, Victor acaba causando uma confusão
 com seus futuros sogros durante o ensaio de casamento e foge para floresta, onde sem querer, desperta o cadáver de Emily ao tentar praticar em um cemitério abandonado.

Achando que foi pedida em casamento, ela leva Victor para debaixo da terra. Uma vez no chamado "Mundo dos Mortos", ele precisa dar um jeito de voltar para casa e para os braços de Victória.

MAS POR QUE É BOM?

Ainda sendo um filme infantil, A Noiva Cadáver é sem dúvidas, uma daquelas obras capazes de ficar na mente de um espectador por um bom tempo e talvez até provoque algumas lágrimas.

O modo sutil como mundos tão opostos são mostrados usando as cores - ou mesmo a ausência delas - acaba por conferir igualmente outros sentidos para o significado de vida e morte.



Enquanto no mundo dos vivos, tudo parece apático e as pessoas em sua maioria estão sempre tristes ou irritadas, no mundo dos mortos, todos são recebidos com música, dança, bebida e celebração.

Mas o sentimentalismo contido no filme vai além e não só faz uma crítica social a toda a estrutura da sociedade desde os séculos passados quanto aos casamentos arranjados, como também passa por questões atemporais como a ganância e como o desejo de ser amado pode nos levar a cegueira, causando uma busca desenfreada que muitas vezes nos aprisiona.

A figura de Emily, sempre frágil e à procura de um homem que a ame de verdade, junto ao amadurecimento de Victor, são a engrenagem principal que faz a história funcionar.



Apesar de impossível, torcemos para que os dois fiquem juntos e ao final, com Victor quase renunciando a própria vida por Emily e esta por sua vez, libertando-o da promessa derradeira para que assim, ela mesma possa se libertar e ter a tão almejada paz, é de fazer qualquer um chorar de emoção.

Ao final, você não somente passa a encarar as coisas com um pouco mais de leveza, mas entende que a autoaceitação e o autoconhecimento são necessários para que entendamos que ás vezes, nem sempre o que queremos é o que de fato precisamos, que o amadurecimento é um processo pessoal e único e que a liberdade pode ser tão bela quanto uma borboleta.



Nota: 🌟🌟🌟🌟🌟

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