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#SessãoClichê

AMOR Á SEGUNDA VISTA: A LEVEZA NO ESPAÇO-TEMPO


As décadas de 1990 e 2000 foram as responsáveis pelo boom de comédias românticas, que fez com que o gênero se tornasse tão amado/odiado. De lá pra cá, é notável o quanto a produção desses filmes decaiu, parecendo saturar-se. Mesmo para os fãs do gênero, é raro encontrar algo não totalmente previsível ou clichê.

Para aqueles que procuram um filme leve, com pitadas de humor e drama, Amor à Segunda Vista, veio em boa hora.

A história se inicia com o jovem Raphael (François Civil), um adolescente que prestes a prestar vestibular, se dedica para tentar terminar seu livro de ficção. Acreditando não ser bom o suficiente, ele nunca deixa que ninguém leia seu manuscrito.

As coisas mudam a partir do momento que Raphael conhece Olívia (Joséphine Japy), uma pianista prodígio, que assim como ele, também não permite que as pessoas saibam de seu talento, por pura insegurança.
Olívia acaba por ler a história de Raphael e os dois inevitavelmente(e para a sorte do telespectador) se apaixonam.

Somos introduzidos então a uma rápida passagem de tempo, que mostra todo o desenvolvimento do casal, passando por um começo de relacionamento apaixonado, o casamento de ambos, até a primeira crise.

Ele, agora um escritor de sucesso, se mostra distante e ela, por sua vez, sente-se estagnada e infeliz. Certa noite, após terminar mais um livro, Raphael têm uma discussão feia com Olívia e os dois vão dormir sem trocar uma palavra.

No dia seguinte ao acordar porém, Raphael depara-se com outra vida: invés de escritor, ele agora é professor de literatura em uma escola de ensino fundamental e jogador profissional de pingue-pongue ao lado do melhor amigo, Félix. Nessa nova realidade sem qualquer explicação aparente, Olívia é uma consagrada pianista e os dois nunca se conheceram.

A partir de então, Raphael inicia uma verdadeira jornada de redenção, tendo que reconquistar o coração de Olívia, para que assim ele possa voltar para sua antiga vida.


MAS POR QUE É BOM?


O clichê dos dois jovens desengonçados e subjugados que se apaixonam e que geralmente demora um filme inteiro para se desenrolar, aqui leva no máximo 10 minutos do longa, que já é um ponto positivo.

A maneira como a história dos dois é contada, ainda que rápida, cativa desde o primeiro minuto, justamente porque não fica restrita ao superficial "felizes para sempre" como a maioria esmagadora dos romances, mas mostra como o tempo e a rotina são capazes de desgastar qualquer relação.

Outro ponto que vale ser mencionado são os coadjuvantes. Destaque para Félix (Benjamin Lavernhe), melhor amigo de Raphael e responsável pelas cenas mais engraçadas do filme, e também para a avó de Olívia (Édith Scob), que traz o tom certo de drama à história. 

Por último mas não menos importante, a química dos protagonistas, perfeitamente dosada, é capaz de fazer rir, chorar e vibrar, já que é a principal engrenagem para que o longa tenha uma boa recepção do público. Com uma trilha igualmente bela, as cenas de Raphael e Olívia, nos ganham pela sutileza, que prima por mostrar em pequenos detalhes a paixão genuína que os une.



Em meio a tantos filmes fracos e sem identidade, pode-se dizer que é um presente muito bem vindo 
ao gênero. Seja pelos coadjuvantes que não são meros adornos e têm algo à dizer, ou pela simplicidade da história, Amor à Segunda Vista usa de vários clichês cinematográficos ao mesmo tempo que os desconstrói.

Nota: 🌟🌟🌟🌟🌟 + 💜

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